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O outro pensamento

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CASOS DE DUPLA VACINA SUPERAM OS DE FEBRE AMARELA
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Como se esperava no caso de uma epidemia criada pela imprensa para fins vis; houve mais vítimas da vacina do que propriamente de febre amarela

No conversar afiada do Jornalista Paulo Henrique Amorim mais detalhes sobre o caso: 

O Ministério da Saúde informou que há 31 casos de reações adversas à vacina da febre amarela: 11 casos em Goiás e 20 casos no Distrito Federal. E até a manhã desta quarta-feira, dia 23, haviam 12 casos confirmados de febre amarela no Brasil. Ou seja, o número de casos de reações adversas à vacina é mais que o dobro do número de casos confirmados da doença.

A Secretaria da Saúde de Goiás confirmou ao Conversa Afiada que todos os 11 casos de reações adversas à vacina são por causa de vacinação duplicada, ou seja, pessoas que tomaram a vacina mais de uma vez. Já no Distrito Federal, onde há 20 casos de reações adversas, pelo menos cinco são por vacinação duplicada.

Isso significa que são, pelo menos, 16 casos confirmados no Brasil de pessoas que tomaram a vacina contra a febre amarela mais de uma vez e tiveram reações adversas. Esse número também é maior do que os 12 casos confirmados da doença.

O médico infectologista do Ambulatório de Medicina do Viajante da Unifesp, Gustavo Johanson, disse em entrevista ao Conversa Afiada nesta quarta-feira, dia 23, que é arriscado tomar a vacina contra febre amarela mais de uma vez (clique aqui para ouvir o áudio).

"Se a vacina foi dada num período curto – e nós estamos falando de dias – aí sim a pessoa corre um maior risco de sofrer com os efeitos adversos da vacina... um deles é a anafilaxia, o choque anafilático, a pessoa tem dificuldade respiratória, a pressão cai e se não for tratado em ambiente hospitalar rapidamente a pessoa pode, inclusive, evoluir para a morte", disse Johanson.

Outro efeito adverso que pode ser causado pela duplicidade de vacina, segundo Gustavo Johanson, é a encefalite, que é a inflamação do cérebro. Segundo ele, esse é um caso que ocorre mais raramente.

O sub-secretário de Vigilância à Saúde do Distrito Federal, Joaquim Carlos de Barros, disse ao Conversa Afiada que "a vacina é uma proteína estranha ao corpo e por isso pode causar uma reação". Ele alerta a população a ter atenção às dicas dos técnicos de que a vacinação contra febre amarela vale por 10 anos. "A pessoa tem que acreditar nos técnicos. Se a gente diz que a vacina vale por 10 anos é porque vale por 10 anos", disse Barros.

Johanson também tranqüiliza a população quanto aos riscos da febre amarela. Ele disse que os casos silvestres da doença já são esperados nessa época do ano. "Não há motivo para pânico, nem para medo... não há motivo para essa corrida desenfreada aos postos para pessoas que não estão em áreas de riscos", disse Johanson.

Gustavo Johanson explicou que só precisa tomar a vacina contra a febre amarela quem já foi imunizado há mais de dez anos ou nunca foi imunizado e vai para as regiões de mata. Johanson disse que quem vive nos centros urbanos e não pretende entrar nas regiões de mata não precisa tomar a vacina.

Leia a íntegra da entrevista com Gustavo Johanson:

Conversa Afiada – A Secretaria de Saúde de Goiás estima que quase 1 milhão de pessoas tomaram duas vezes a vacina contra a febre amarela em Goiás. O número é baseado na diferença entre doses da vacina distribuída e pessoas imunizadas. Sobre esse assunto eu vou conversar agora com o doutor Gustavo Johanson, que é infectologista do ambulatório de medicina da Unifesp, Universidade Federal do Estado de São Paulo. Quais os riscos de se tomar duas vezes a vacina contra a febre amarela?

Gustavo Johanson – Em primeiro lugar, não está indicado. Nós sabemos que a proteção da vacina vale por dez anos. Portanto, antes de dez anos não há necessidade nenhuma de se tomar. E agora, em referência à sua pergunta, nós temos que fazer algumas considerações. Se essas duas tomadas de vacina foram em períodos curtos, médios ou longos. Nós sabemos que se a pessoa tomou duas vezes a vacina, mas com período de anos entre uma e outra, mesmo que seja menos do que dez anos, nós sabemos que não há um grande problema nisso. Obviamente que não está indicado, não há necessidade, mas em termos da saúde da pessoa, isso não vai acarretar num maior risco de doença ou efeitos adversos da vacina. Agora, se a vacina foi dada por um período curto, e aí nós estamos falando de dias, meses, aí sim, realmente a pessoa corre o maior risco de sofrer com os efeitos adversos da vacina. Então, temos que fazer essa distinção entre o tempo de tomada da vacina.

 

Conversa Afiada – E quais podem ser esses efeitos adversos?

 

Gustavo Johanson – Os efeitos adversos mais comuns, apesar de serem não muito freqüentes, mas são os que comumente aparecem, são principalmente dor no local da injeção, ter uma mialgia – que nada mais é do que uma dor muscular – e a pessoa pode desenvolver febre baixa. Isso no período que vai até dez dias da tomada até 14 dias, duas semanas, portanto, de ter recebido a vacina, a pessoa pode desenvolver esses efeitos adversos que são os mais comuns. Agora, existem efeitos adversos sérios e que, felizmente, são bem menos freqüentes e eu diria bastante raros. Um deles é anafilaxia, o choque anafilático, em que a pessoa tem dificuldade respiratória, a pressão cai e se não for tratado em ambiente hospitalar rapidamente, a pessoa pode inclusive evoluir pra morte, pro óbito. Felizmente isso é extremamente raro e acontece principalmente com pessoas que têm alergia ao ovo e a algum componente do ovo que não sabiam ou que não referiram antes de tomar. Existem outros eventos adversos também bastante raros, porém relativamente graves. Um deles é a encefalite, que nada mais é do que a infecção, a inflamação do sistema nervoso central, do cérebro, portanto, e também extremamente raro de acontecer, e os relatos que nós temos, principalmente os dados da Organização Mundial da Saúde, que faz o controle mundial da vacinação, e nos diz, portanto, que esses casos ocorreram principalmente em crianças que receberam a vacina antes dos seis meses de vida. Mas é extremamente raro. Obviamente que isso não serve para assustar a população, mas serve para indicar corretamente a vacina. Então são esses, basicamente, os efeitos.

 

Conversa Afiada – A população procura essa vacina duas vezes principalmente pelo medo da doença. Há um motivo para ter medo da vacina, principalmente em áreas onde não há muitas incidências, muitas ocorrências?        

 

Gustavo Johanson – Não, não há motivo para pânico nem para medo porque, na verdade, febre amarela silvestre, que acontece em região de mata, e a urbana, na região da cidade que nós não temos desde 1942. Só a silvestre. Então, nós sabemos que no tipo silvestre, a febre amarela ocorre anualmente no Brasil. Então, nós temos casos registrados anualmente. Então, a gente espera que todo ano nós tenhamos caso de febre amarela. Então, até o momento, esses casos que estão ocorrendo, nada mais são do que casos esperados de febre amarela. E que as pessoas que adquiriram foram pessoas não vacinadas e que entraram na zona de mata, mata mesmo, não adquiriram no ambiente urbano. Então, uma pessoa acabou entrando no meio do mato, fazendo algum passeio, ou trabalhadores de áreas rurais, área de mata. E nós sabemos que a área de mata, com uma densidade populacional extremamente baixa, portanto, o risco para o ser humano é muito baixo. E se a pessoa tiver imunizada, esse risco acaba sendo zero, portanto. Então, não há esse motivo para essa corrida desenfreada aos postos, para as pessoas que não estão nas áreas de risco, as áreas de risco estão amplamente divulgadas aí na mídia, principalmente as pessoas que residem ou que estão se dirigindo para a região Norte, Centro Oeste, o Estado de Minas Gerais, parte pré-amazônica do Nordeste, o Noroeste do Estado de São Paulo e o Oeste da Região Sul do Brasil. São regiões, portanto, de risco. Pessoas que não residem nessa área ou que não vão viajar para essa área não precisa tomar a vacina.

 

Conversa Afiada – Ou quem já tomou a vacina no período de dez anos.

 

Gustavo Johanson – Quem vai viajar para essas áreas, mas já tomou a vacina e dentro do período de dez anos, não há necessidade de repetir a dose, não é esperado um reforço da imunidade, a imunidade está boa, antes de dez anos a gente considera que a pessoa está imune e protegida totalmente contra a febre amarela.

 

Conversa Afiada – Quer dizer, doutor Gustavo, que esses casos já eram esperados, os casos silvestres, que são esperados todo ano, é isso?

 

Gustavo Johanson – Exatamente. Os casos silvestres são casos esperados. Obviamente que a vigilância tem que ficar atenta, então, os órgãos de saúde têm que ficar atentos, principalmente quando ocorrem morte de macacos inesperado, isso pode ser um prenúncio da febre amarela. Que foi o que aconteceu agora neste ano. Então, quando existe morte de macacos, obviamente que o Governo tem que ficar atento para tomar medidas, para impedir que o ciclo silvestre acabe afetando o ciclo urbano. Aí sim, no ciclo urbano o problema pode ser maior, porque nós temos, obviamente uma densidade populacional maior, e aí muita gente pode ficar afetada. São casos esperados, o que não significa que não tenhamos que controlar. Mas são casos esperados. A febre amarela dificilmente vai ser erradicada do ciclo silvestre por questões óbvias. O mosquito, praticamente é impossível erradicar os mosquitos da floresta.

 

Conversa Afiada – E a febre amarela não se transmite de pessoa para pessoa. Não há o risco de uma pessoa pegar isso numa região de mata e transmitir para a região urbana.

 

Gustavo Johanson – De jeito nenhum. Sem o mosquito, não há transmissão da febre amarela. Portanto, a doença depende do vetor do mosquito e do ser humano ou do macaco, no caso, no ciclo silvestre, o macaco é o principal hospedeiro. No ciclo urbano seria o homem o principal hospedeiro. O mosquito que carrega, transmite o vírus de um para o outro, não tem como pegar febre amarela, não passa de pessoa a pessoa.


 

fonte: http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/475001-475500/475277/475277_1.html

 


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